quinta-feira, 24 de julho de 2008

PAGAMENTOS ARBITRAGEM

Muito se tem dito e falado sobre os pagamentos à arbitragem na época 2007/2008.
Pelos feed-backs recebidos de algumas pessoas, este foi igualmente um dos temas mais debatidos nas reuniões de arbitragem de Julho (tema que retomarei em post posterior).
No entanto, deparo-me com uma situação que, até agora sempre encarei como sendo “lapso”, mas que pela falta de resposta às inúmeras solicitações de esclarecimentos me vejo forçada a encarar como sendo deliberada – eu não sou paga pelos jogos e torneios para que fui convocada OFICIALMENTE pela FPN!

Tenho noção (como espero que todos tenham) que a FPN deliberou não pagar a quem não está filiado (que é o meu caso).
Sendo uma decisão acertada e com a qual até concordo (em princípio), peca por não ter sido comunicada e aplicada em todo o seu rigor e extensão e desde o início da época (melhor ainda, sempre!).
Porque digo que não foi aplicada em todo o seu rigor?
Porque na época 2007/2008 (já para não falar nas anteriores) houve pelo menos 12 árbitros e oficiais não filiados a serem convocados regularmente para jogos da 1ª e 2ª divisão, e a serem pagos pelo trabalho desenvolvido nesses jogos, bem como pelas deslocações e despesas em que incorreram.
Um dos árbitros em causa apitou mesmo a final da Taça de Portugal!
Será que o faria se o informassem que não iria ser pago, nem lhe iriam pagar os jogos que apitou ao longo da época?

No início, meio da época, quando comecei a prestar um pouco mais de atenção ao que se vivia na arbitragem, tinha duas questões sobre este assunto:
Porque não se informavam os árbitros que deveriam estar filiados (apesar de ser obrigação de todos saberem os procedimentos) e porque não se informavam os mesmos árbitros que sem estarem filiados não seriam pagos pelo trabalho que estavam a desenvolver?
A primeira questão foi facilmente resolvida, pois delega-se essa função ou responsabilidade para as Associações Regionais e para os próprios árbitros e oficiais, na falta de reuniões de arbitragem nacionais em que os procedimentos são relembrados – como é feito nos países ditos “desenvolvidos” em termos de pólo aquático, como por exemplo a Espanha….
Desta forma “limpam-se”as mãos dessa responsabilidade e delega-se nas pessoas ou entidades.
No entanto, de acordo com os regulamentos, os árbitros não filiados não podem ser convocados para arbitrar!!!
Mas foram ao longo de toda a época!!!
Assiste-se aqui a um contra-senso, igualmente fácil de explicar.
Se não fossem convocados, não haveria árbitros suficientes para “tapar buracos” e não se poderiam realizar as competições (que, mesmo assim, sabemos em que estado decorreram…).
Mas então, porque não se avisam esses árbitros, no momento da sua convocação (ou repetidas convocações), que deveriam estar filiados?
Não sei!!!
Da mesma forma que não sei explicar como se faz um curso de árbitros e as pessoas formadas não sabem que tem de se filiar na sua Associação para que ela os filie na Federação. Acreditam que por terem feito o curso (dado pelo vogal do Conselho de Arbitragem e Vice-Presidente da FPN) e por terem sido aprovados e serem convocados, estão filiados!
Que se diga que foi dito e que uma dessas pessoa não saiba por não ter ouvido, tudo bem, mas todos os presentes na formação?!
Dada por elementos da FPN (pois com esta direcção passaram a ser os únicos formadores reconhecidos nacionalmente)?
Parece-me um pouco estranho e demasiado rebuscado.
E ainda me parece mais estranho dar-se uma formação de árbitros e não se falar nos regulamentos de arbitragem, nem nos direitos e deveres dos árbitros, como parece ter sido o caso, pelo menos em duas delas!!!
Mas sabendo disto, não estranho que os árbitros nacionais não tenham a noção de que devem ser filiados, pois se nem os recém-formados têm essa informação.

Todo este debate/desabafo leva à segunda questão, que é saber porque não se informavam os árbitros que não seriam pagos se não se filiassem!
Novamente tenho alguma dificuldade em encontrar uma resposta concreta.
Dizem que não se tem que informar pois os árbitros devem saber que não sendo filiados não recebem… mas assim entramos novamente em conflito com o definido nos regulamentos, que especifica claramente que não podem ser convocados!
Será que é por uma questão de poupanças, pois assim estamos a chamar árbitros para jogos e depois poupamos dinheiro não lhes pagando?
Não me parece ser o caso (excepção feita, aparentemente, ao meu caso), pois a maioria dos árbitros não filiados foi sempre atempadamente paga – até porque, eventualmente, necessitavam que eles continuassem a apitar!!!
Então porque não houve uma confirmação e comunicação oficial de que quem não estava filiado não recebia?
Porque é sempre uma informação verbal, um boato, um rumor não confirmado oficialmente?
Será porque era assumir que se estavam constantemente a violar os regulamentos convocando árbitros e oficiais não filiados para jogos nacionais?
Não teria sido mais fácil falar com as pessoas, explicar a situação e partir de uma base sã?
É preciso chegar uma nova pessoa à Federação, quase no final da época, para colocar ordem na casa?
É preciso fazer isso sem comunicar, à revelia das pessoas e depois de se ter conseguido realizar as provas?!

No fim de tudo isto, continuo sem conseguir uma resposta quer às minhas dúvidas iniciais, quer à minha situação… e as dívidas (montantes não pagos pela federação) foram acumulando.

Depois de ter sido repetidamente convocada para eventos e jogos nacionais por uma pessoa que sabia claramente que não estava filiada, nem o iria fazer (por motivos de força maior), depois de ter recebido alguns jogos ao longo da época, depois de me ter sido confirmado por escrito e verbalmente que me iriam ser feitos os pagamentos em causa… continuo sem receber e sem ser dada indicação de pagamento à FPN, que deve encerrar as contas desta época até ao final de Julho!!!
Será que a culpa é minha, pois já devia saber “o que a casa gasta”, depois de me ter sido confirmado por escrito o pagamento como oficial dos jogos realizados no Europeu de 2005 (em que fiz locução de todos os jogos e colaborei mesmo em alguns como oficial, andei com árbitros e delegados, etc)… ainda não vi a cor do dinheiro (e era “uma fortuna”… 5€ por jogo!!!).

A minha dúvida:
Quantos mais árbitros não filiados estão a viver esta situação?

É normal, um lapso ou propositado que o Torneio de Felgueiras tenha já sido pago a todos os oficiais presentes menos a mim!
Quantos ainda têm em divida valores de jogos realizados fora da sua zona de residência?

É que é por estas e outras situações que eu desisti de ser árbitro ou oficial e muita gente se afastou!!!
Mas gostava de me poder afastar com as minhas contas regularizadas, pois da mesma forma que sempre me ofereci e colaborei voluntariamente com clubes e associações (e inclusive, apesar de um pouco “forçada”, com a FPN em torneios eventos e no mundial), organizei eventos e deixei as contas saldadas, sempre acreditei na boa-fé das pessoas que comandam o destino do pólo aquático e acreditei que deixavam que uma pessoa se desligasse com a “casa arrumada e as contas saldadas”.
Gostava de acreditar que os critérios são claros e iguais para todos, havendo justiça e aplicando-se o regulamento, mas se não for o caso (como parece estar a ser provado) então expliquem quais os critérios que fazem com que “uns sejam filhos e outros enteados”!

Alguém me explica o que se passa, para que possa saber o que fazer para recuperar, pelo menos, o dinheiro que gastei em deslocações, sem falar de todo o investimento pessoal e profissional em jogos e eventos – e que me tinha sido garantido que iria ser pago?!!!

2 comentários:

Anónimo disse...

mas alguem sabe o que recebeu e o q esta por receber e relativo a que jogos.. eu só sei que de ves em quando la aparece uma transferencia da FPN la na conta...e tb nao sou filiado, e melhor n sei o q é preciso fazer para tal...

ursinho disse...

Incrível que aconteçam este tipo de coisas.
Só aqui em Portugal mesmo...
Tu não mereces.
Todos esperamos que continues, pessoas como tu são as que fazem falta nisto para evoluir.
És grande.