quinta-feira, 24 de julho de 2008

Reuniões de Arbitragem

Junto um comentário enviado ao post que escrevi, pedindo a vossa opinião sobre as reuniões a que assistiram, bem como os assuntos debatidos nessas reuniões, em função de não ter podido estar presente.
Pelo seu tamanho, preferi colocar como um post e deixar que comentem, pois não tendo estado presente não sei o que foi debatido e prefiro não dar a minha opinião até ter mais elementos.

“Qual a opinião sobre a reunião?
Honestamente, quando me desloquei à reunião em que participei pensei que iria ver um projecto estruturado, algo validado e com viabilidade que realmente tirasse a arbitragem e os árbitros do poço onde estão depois de anos de má gestão e após estes últimos anos de péssima gestão.
O meu optimismo cedo se transformou em cepticismo!
Projecto? Havia ideias que foram colocadas a debate, que se diz que se quer lançar para a próxima época, mas nada de estruturado, nada de fundamentado e acima de tudo, nada de planeado para a formação.
Projectos há muitos, inclusive li aqui algumas boas ideias e propostas de projecto – algumas delas até me pareceu estarem reflectidas naquilo que se falou e apresentou.
No entanto não há nenhum suporte físico, pois pedimos o projecto para melhor análise e nada nos foi entregue ou enviado.
A participação também foi muito pouca, sinal de desânimo e cansaço dos árbitros ou simplesmente má gestão das datas e horários?
A sensação que tive, ao sair da reunião sem metade dos assuntos da agenda bem clarificados, foi que se tratou de uma manobra política feita por uma direcção que ao longo de 4 anos não fez nada e agora quer levar estes pobres otários do pólo aquático a acreditarem que tudo vai mudar.
Fez-me pensar em Sócrates e nas suas promessas vazias de fim de mandato e de Campanha eleitoral.
Mas falando da proposta, projecto, ideia brilhante, etc.
Parece-me uma boa iniciativa, mas não consegui perceber bem os moldes em que vão aplicar, pois parece-me que vão criar mais uma elite dentro da elite.
Não é uma proposta feita para formar novos árbitros nem apoiar os árbitros nos escalões de formação.
É uma proposta em que árbitros vão formar outros árbitros e avaliar colegas enquanto actuam como duplas. E vão ser premiados recebendo mais por isso!
Não denegrindo a ideia, não consigo perceber o sentido!
Porque não fazemos as coisas simples e básicas, como se faz lá fora?
Porque insistimos em atirar areia para os olhos e inventar forma de dar dinheiro a ganhar meia dúzia de pessoas em vez de pensar em investir na formação e em avaliadores correctos e isentos!
Porque criar duplas de árbitros nacionais em vez de se apostar em criar estruturas de formação de árbitros, de captação, criar um bom sistema de delegados e avaliadores, etc.?
Não consegui perceber quais os critérios que vão reger a nomeação destes árbitros tutores, mas não me parece que tenhamos assim tantos árbitros como isso com capacidade e conhecimentos para apoiar árbitros em formação.
E aqui não podemos confundir antiguidade enquanto árbitro com capacidade de formador, mesmo como acompanhante de uma dupla!
Por outro lado, sabemos que as duplas de árbitros existem porque um só árbitro não consegue abranger todo o jogo e todas as situações. Se vamos criar duplas em que é um dos árbitros que está a formar o outro, ele não vai ter de estar atento a todo o jogo? Isto é, não vai ter de observar a sua zona de jogo e, ao mesmo tempo, a do seu colega/formando?
Será esta a melhor opção?
As duplas de arbitragem existem para que os árbitros se apoiem mutuamente, independentemente de terem mais ou menos experiência e/ou antiguidade!
É isso que se chama espírito de equipa e de árbitro – e não é com dinheiro que se ganha!
Se atendermos ao facto de termos árbitros nacionais que nem um ano estiveram como distritais ou regionais e mal apitam jogos de pólo aquático, será que a opção deve ser esta?!
Porque não criamos uma estrutura de delegados e formadores externos à arbitragem e ao quadro de árbitros que possa efectivamente acompanhar e dar apoio a novos árbitros e árbitros em formação, sem interferir na atenção que cada elemento da dupla deve prestar ao jogo?
Porque não aplicamos o que está regulamentado há anos e criamos categorias distintas de árbitros e exames anuais para passagem á categoria superior.
A proposta apresentada, sendo interessante, não vai ajudar a melhorar o quadro actual de árbitros nacionais ou no aumento do número de árbitros.
Isso não vai acontecer pagando mais a uns e menos a outros, ou lutando para estar no escalão superior. Não vamos criar novas elites na arbitragem!
Esse dinheiro deveria se usado para pagar a delegados credenciados, pois eles sim, de forma isenta e idónea podem avaliar os árbitros.
Deveria e poderia ser aplicado em reuniões regulares com os delegados e avaliadores, na uniformização de critérios, em acções de formação e captação, não em premiar alguns pelo trabalho que é de todos e para o qual se disponibilizaram!
Gostei da ideia de formar as pessoas nos clubes, para que apoiem nas mesas dos jogos.
Inclusive sei que houve já alguns clubes que pediram a uma formadora de uma Associação Regional, com indiscutível experiência de oficial de mesa, que desse formação aos seus atletas.
Sendo uma ideia antiga, já várias vezes proposta, pode criar a união e ligação entra a arbitragem e os clubes de que tanto se fala.
Resta saber quem serão os formadores para estas acções, ressalvando que está comprovado que os árbitros dão péssimos oficiais de Mesa, como se pode ver nos inúmeros eventos Nacionais e Internacionais em que a mesa é feita por árbitros em vez de Oficiais experimentados.
Por falar nisso, será que vamos ter esta categoria também contemplada na próxima época?
Foi tudo desta reunião.
Honestamente, vi muita parra e pouca uva.
Faltou estrutura, faltou suporte, faltou certezas.
As ideias estavam lá, mas pareceu mais um brainstorming que uma reunião com a agenda que foi enviada.
Dos pontos da agenda, não se completaram metade deles.
Devo dar os meus parabéns à FPN por ter recrutado a Helena, pois apesar de não ser da arbitragem ficou claro que sem a vinda dela nada teria sido feito e tudo continuaria na mesma.
Parabéns também aos novos blogs, que com as suas notícias vieram dar outro ânimo e outro dinamismo a esta modalidade – veja-se o exemplo de muitas das ideias aí debatidas serem agora apresentadas nesta reunião!
Apesar da sensação clara e indistinta de me estarem a comer por parvo com esta reunião e de estarem a querer fazer acreditar que depois de 4 anos de inoperância e de auto-promoção as coisas vão mudar, não posso deixar passar a oportunidade de dar os parabéns pela reunião – pelo menos fez-se uma reunião depois de 3 anos sem elas.
No final de mandato, no final da época, uma delas durante a semana e as outras em péssimas datas, mas foram feitas. Esse ponto pode marcar com um X na agenda de campanha, pois foi cumprido.
O que se seguirá?”

1 comentários:

Anónimo disse...

Nada mais há que acrescentar a este post.
Já tive oportunidade de fazer referência ao conteúdo da "proposta", que no minimo teve o condão de servir para "alguns" árbitros se reunirem com a Federação e o vogal do CA, porque lamenta-se que o Presidente do CA não marca-se presença.
Apesar da prepotência revelada pelo Sr. Vice Presidente da FPN,na fundamentação da proposta.
Esperemos que a mesma seja colocada em prática....."eperar para ver, porque já não acrdito no Pai Natal"