segunda-feira, 31 de março de 2008

Torneios, Regulamentos, Arbitragem

A pedido de agumas pessoas, venho aqui falar do caso que sucedeu no Algarve no Torneio de Juvenis, mas que infelizmente não é caso único e, se não se fizer nada, se arrisca a não ser o último.
Como se pode imaginar, nem dá boa imagem a quem faz os regulamentos, nem à arbitragem que os desconhece.

Quando realizamos um Campeonato Internacional, um Torneio Internacional, informamos sempre as equipas do regulamento da prova e, na maioria das vezes (especialmente se for uma prova LEN ou FINA), é feita uma reunião técnica antes do início da competição, com os árbitros que vão estar presentes e com as equipas, para esclarecer dúvidas em relação ao regulamento da prova.

Porque é que isso não é feito a nível dos Torneios Nacionais ou mesmo Regionais que tenham um regulamento diferente do regulamento das Competições Nacionais?
Porque não há uma reunião técnica, sessão de esclarecimentos, ou o envio do Regulamento aos árbitros que vão participar?
Porque estamos a ter Torneios de Categorias sem equipas de arbitragem completas (ou mínimas)?

Tenho noção que os árbitros deveriam, por seu lado, ter o cuidado de se informar se o regulamento de competições nacionais se aplica a torneios de categorias... Mas (há sempre um mas...) deveria haver o cuidado de publicar esses regulamentos, de fazer sessões de esclarecimento... não vos parece?

Nestes casos... quem sai prejudicado?
As equipas que terão de completar o jogo (e digo isto sem saber qual a decisão tomada neste caso em particular)?
A arbitragem, que desconhece o regulamento?
A FPN que não o publica ou promove?
O Conselho de Arbitragem que não acompanhou ou esclareceu os árbitros?

Não me parece que seja uma situação benéfica para ninguém e estar a apontar dedos não vai resolver esta situação no futuro.
Se é uma coisa que fazemos para o nível internacional (reuniões técnicas, informar o regulamento da prova), porque não o aplicamos a nível nacional?
Será só porque no internacional é obrigatório?

Fica o pensamento para reflexão...

sábado, 29 de março de 2008

Fazer uma casa com ou sem fundações?

Nestes últimos dias tenho estado em alguns torneios e jogos, tenho recebido muita informação sobre a gestão da arbitragem noutros países (alguns até bem menores que Portugal) e, acima de tudo, tenho observado e escutado muito...


Eis os comentários mais frequentes (e o pior é que não são recentes... há quase 20 anos que os ouço):
  • Se eu me for embora isto pára
  • O que vale é que ainda há pessoas que fazem isto por amor à camisola
  • Só andam nisto pelo dinheiro... mercenários
  • Todos falam mas ninguém faz nada - tenho/temos de ser nós a fazer
  • Se for para fazer isso mais vale acabar com a arbitragem
  • Não se pode fazer... as pessoas não vão aceitar
  • Estamos a perder vida pessoal e profissional sem retorno
  • Ninguém reconhece o trabalho que foi feito ou que pode ser feito
  • Estou cansado(a) de andar para aqui a fazer figura de ...
  • etc, etc, etc...
Acreditem que o que me entristece é que isto não é de agora (é um discurso de há muitos anos), não é de uma pessoa (já ouvi em tantas pessoas...) e acima de tudo de uma entidade.
Todos tem grandes ideias, todos são melhores que os outros (até eu devo pensar que vou descobrir a pólvora...), mas a verdade é que se continua a encarar a arbitragem com "carolice". Com amadorismo. E com muito mais amadorismo do que o que se exige às equipas.

Como se justifica que seja uma modalidade que me parece estar em crescimento (muito mais clubes, equipas, escalões, representado a nível nacional), mas que para a arbitragem não haja ninguém que dê a cara (um director técnico como em qualquer modalidade, um "seleccionador", uma equipa de formação e acompanhamento)?
Que trabalhe num projecto completo? Que seja a ligação entre as Associações e a FPFN?
Que esteja disponível a 100% para definir e acompanhar um projecto?
Como justificar que se continuem a fazer convocatórias à semana, mudadas diariamente e muitas vezes até mesmo no dia do jogo... pois nunca (em tantos anos) se pensou em definir um planeamento com o compromisso dos árbitros?
A minha opinião é um pouco radical (assumo isso... mas os que me conhecem... sabem que é assim), mas hoje em dia temos como "classes" de árbitros:
  • As estrelas
  • Os "indispensáveis"
  • Os novatos ("coitadinhos" não percebem nada daquilo)
  • Os salvadores do mundo
  • Os profetas/iluminados
  • Os disponíveis
  • Os curiosos
  • Os entendidos
  • Os especialistas de bancada
  • Os coitadinhos
  • Os "tapa-buracos"
  • etc, etc, etc
Atenção, que todas estas "categorias" ou características são para ser lidas "entre-aspas" pois são as que atribuo ao discurso que ouço de cada pessoa/árbitro que se poderia inserir nelas (deixo ao vosso critério pensarem em quem quiserem em cada categoria).
Pessoalmente, a situação é de simples resolução e já falei algumas vezes nela:
A arbitragem, tal como as equipas e os clubes, deveria ser gerida num formato empresarial, de gestão.
Os árbitros são pessoas responsáveis, que aceitaram e escolheram ser árbitros e que como tal se devem sujeitar a um conjunto de regras e condições claramente estabelecidas. E serem "premiados" no final de cada época de acordo com a sua actuação nessa época (disponibilidade, pontuação de jogos, apresentação e postura, etc...)
Não me venham dizer que penalizar os árbitros que falham vai acabar com a arbitragem!
Se não acaba com o pólo nem as equipas, porque deveria acabar com a arbitragem?!
Pode é acabar com algumas das "classes" de árbitros acima mencionadas e passar a contar só com as pessoas que querem verdadeiramente ser árbitros e contribuir para o desenvolvimento da modalidade!!!
Há um risco - claro!
Os que são os melhores árbitros ou andam nisto há mais anos, podem não gostar ou aceitar a mudança (em qualquer sociedade ou empresa é sempre complicado lidar com a mudança!).

Mas acredito sinceramente que para se poder evoluir e sair da situação actual... se deveria fazer um "format/reset" à arbitragem de pólo aquático nacional.
Definir claramente as regras, regulamentos, pagamentos, formações, categorias, penalizações, equipamentos, funções, pontuações, avaliações, etc, etc, etc.
E responsabilizar os árbitros SEMPRE em vez de procurar "bodes expiatórios" e arranjar desculpas e argumentos.
Ter as convocatórias preparadas com pelo menos 1 mês (com tempo chegaremos aos 3 meses), conhecer a disponibilidade dos árbitros com 3 meses de antecedência, ter os calendários nacionais e regionais conjugados para se poderem nomear os árbitros de acordo com a disponibilidade previamente comunicada e com os tipos de jogos, ter datas fixas de pagamento, ... tanto que se podia fazer... e devia!
E se isso implica pagar a um "gestor" ou a uma ou duas pessoas para garantir a qualidade do que se faz... não é dinheiro mal gasto - é um investimento na qualidade do trabalho futuro da nossa arbitragem!
Se tivermos que fazer uma época com árbitros menos experientes ou "a precisar de mais formação ou acompanhamento"... penso que é um preço a pagar para se chegar a um bom nível na arbitragem e deixarmos de "depender" sempre dos mesmos, ou dos que falham sempre e depois são substituídos à última da hora!

É a velha história de qualquer instituição ou clube:
Queremos ganhar agora, ou formar uma equipa vencedora para o futuro, que seja imbatível?
Apostamos no curto prazo para resultados imediatos e depois "logo se vê" ou apostamos num processo de crescimento sustentado que nos dê reais garantias de crescimento e de resultado a médio e longo prazo?
Queremos continuar a tapar o sol com a peneira, ou vamos pensar nas fundações e trabalhar a partir daí em vez de olharmos só para os buracos do telhado?

Tudo isto implica compromissos de ambas as partes (árbitros, Associações, FPN, clubes, etc...)... mas nas empresas é o que acontece, nos clubes, em todo o lado.
Exigir, mas retribuir.... regras claras e feitas para todos.

Enquanto não consigo ter tempo para desenvolver um projecto mais sustentado... fica o pensamento... para comentarem... como sempre!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Acção de formação/esclarecimento em Lousada

Decorreu ontem, dia 25, no Auditório de Lousada, a primeira acção de formação/esclarecimento para pais, jogadores e público em geral, sobre Regras, História das regras e do jogo, Critérios, Arbitragem e Pólo Aquático.

Esta acção, que foi pedida pelo clube de Lousada, teve a participação de mais de 70 pessoas, incluindo a presença do Presidente do Clube, do presidente da ANNP e de uma representante do departamento de pólo aquático da FPN, tendo sido levada a cabo pelo árbitro internacional e membro do Conselho de Arbitragem Luís Santos.

Uma iniciativa inédita e de louvar, que visava exactamente promover o contacto entre a Arbitragem e todos os interessados sobre Pólo Aquático e esclarecer as dúvidas sobre a modalidade e a arbitragem, através de um diálogo saudável, criando nos participantes uma melhor compreensão das regras e critérios em vigor.

Com grande participação dos intervenientes, durou mais de 2h e ajudou a esclarecer muitos daqueles aspectos que as pessoas, na emoção do jogo, muitas vezes não compreendem.

Esta acção pode ser solicitada directamente junto da Federação, por qualquer clube interessado .
Não tendo duração limitada, podem contar com um mínimo de 2h, para que se possa fazer a apresentação de toda a parte histórica e de regras e critérios e se possam debater livremente todas as questões e dúvidas dos que estão, de alguma forma, ligados à modalidade.
Basta que tenham um espaço amplo para os participantes e orador (daí o Lousada ter optado pelo auditório da cidade em vez de a fazer no clube, tal era o número de interessados)

A próxima esta agendada para Guimarães.

Aproveitem! É uma excelente iniciativa e aproxima os pais, atletas e público da realidade deste desporto.
Mais novidades sobre estas acções de formação muito em breve...

sexta-feira, 21 de março de 2008

2 MENSAGENS DE FELIZ PÁSCOA



Blog sobre arbitragem

Meus amigos
Recebi agora este blog, sobre arbitragem, mas no andebol.
Passem lá e digam-me.... se as situações relatadas vos lembram algo...
beijos
http://banhadasandebol.blogspot.com/

quarta-feira, 19 de março de 2008

Jogos Filmados no Blog

Já tinha anteriormente feito esta proposta (e estou a trabalhar num espaço onde os clubes possam alojar directamente os seus filmes dos jogos - conto ter a situação resolvida até à Páscoa), mas sei que a maior parte dos clubes publica os seus filmes dos jogos nos seus sites.
O que vos peço (se estiverem interessados) é que me enviem uma mensagem com o site onde está alojado o vosso filme.
Desta forma posso acrescentar (ao espaço que já está criado), as filmagens ou filmes de todos os clubes - uma boa forma de partilha e também de aprendizagem para os árbitros.
E até a situação de um espaço centralizado (servidor, ftp, ...) estar resolvida, posso sempre disponibilizar os links para os filmes... boa?!
Se as versões que publicarem forem demasiado sintetizadas, estou à vossa disposição para receber uma versão maior ou não editada, para colocar o jogo na sua integralidade (ou pelo menos com os aspectos mais significativos).
Espero que assim se consiga desenvolver a observação dos jogos realizados nos diferentes escalões, regiões e categorias...

1º Jogo a aparecer no blog


Amadora vs Salgueiros - 12ª Jornada - Pólo Aquático from Pólo Aquático Salgueiros on Vimeo.

Níveis e Critérios de Certificação/Avaliação de Árbitros (USA)

Mais um vez, apesar de muitas das coisas que estão descritas no documento anexo já estarem incluídas nos nossos regulamentos, há alguns pontos a salientar na apresentação em anexo, do Comité Nacional de Arbitragem dos USA:
  • Estão claramente definidos os critérios para subida de nível (número de jogos, categoria de jogos, etc.)
  • Todos os árbitros tem de fazer prova que querem manter a sua certificação na Categoria em que estão, e essas provas obedecem a critérios bem definidos e testes escritos (mesmo internacionais)
  • As formações estão on-line e, quem estiver interessado em formação presencial deve requerer e obedecer a datas, mas a preparação de árbitro está on-line para os que nem sempre tem possibilidade de se deslocar para as zonas onde estão a ser realizados cursos presenciais.
  • Todos os árbitros devem estar filiados
  • Estão claramente definidos os prazos para se inscreverem, demonstrarem interesse em subir de categoria, etc..

Sei que já se falou muito e que "em teoria" as pessoas sabem tudo isto, mas na prática o que se verifica é que ninguém sabe ao certo...
Um documento simples, on-line e que não estivesse incluido em nenhum regulamento espcifico, talvez ajudasse melhor as pessoas a perceber as suas responsabilidades para com a arbitragem, por forma a poderem evoluir... ou ficar no escalão respectivo.


Para além de realçar que além do Comité Técnico de WP (será o equivalente ao nosso Conselho de Arbitragem), possuem um Comité de Árbitros que criou um Corpo de Delegados/Avaliadores...



Que vos parece?


Carrega aqui para a versão em Americano
Carrega aqui para a versão em Português

terça-feira, 18 de março de 2008

ArbitragemWP - Arbitragem Andebol

No seguimento das mensagens já colocadas, comentários, etc... sobre postura e regulamentação de árbitros, recebi de um apaixonado pela modalidade (obrigada António) os documentos anexos (parte de baixo da mensagem), relativos às regras e regulamentações dadas pela Federação Brasileira de Andebol aos seus árbitros (deixei na versão original de brasileiro).
Com a devida ressalva de serem modalidades semelhantes (mas simultâneamente muito diferentes), penso que são regras e regulamentos válidos para qualquer arbitragem, e que seria bom serem adaptados para a realidade da arbitragem do Pólo Aquático em Portugal.

Especialmente nas regras e conselhos, que como poderão observar inclui Árbitros, Treinadores e Oficiais de Mesa!!!
Pois por vezes as pessoas tendem a relativizar a importância, credibilidade e imagem dos oficiais - mas fazem parte do jogo e são tão importantes como qualquer outro elemento do jogo!

Que vos parecem?
Para mim estão muito boas e muito fáceis de adaptar (e mesmo sabendo que toda a gente as sabe... o que é certo é que ninguém as aplica verdadeiramente).

Aguardo a vossa opinião

segunda-feira, 17 de março de 2008

Árbitro - postura, credibilidade, imagem

Sei que já falei sobre isto noutro post... mas gostava de voltar a debater este assunto (desculpem, é algo que me é muito chegado ao coração).

Quando tirei o meu curso de árbitro, literalmente no século passado (ai a idade que não perdoa), não havia equipamentos dados pela Associação ou Federação.

Os árbitros compravam a sua roupa branca (pelo menos as calças - que a mim nunca me deram, cada um tinha um modelo... por isso assumo que não davam a ninguém) e era com isso que iam arbitrar.
Mais tarde surgiram uma calças da Pronado (passe a publicidade) e umas camisolas (para árbitros nacionais) e só muito mais tarde se começaram a ver equipamentos para a arbitragem feitos por algumas associações e pela federação (Arena).

Qual é a "moral" nisto?
Se queríamos apitar, sabendo que o equipamento devia ser branco, o árbitro comprava do seu bolso.
Porquê?
Porque fazia parte da imagem de árbitro, da credibilidade, do tal respeito pela arbitragem.
Porque relanço este assunto?
Ao contrário do que alguns possam pensar, não é com base no que vi este fim de semana (não é nenhuma indirecta), mas no que tenho visto nos últimos anos ligada à arbitragem.
  • árbitros que apitam de calções
  • árbitros que apitam de chinelos de praia e calções de surfe
  • árbitros que vão vestidos como se fossem sair ou tivessem vindo de férias
  • árbitros que não levam apito (tantos... )
  • etc, etc, etc.
E aquilo a que assisto sempre é a uma tentativa de culpabilizar alguém (Associações, Federações, ...) e de se "vitimizarem":
  • "Nunca ninguém me deu nada"
  • "Não tenho equipamento"
  • "Se não me dão equipamento, venho como estiver"
  • "Eu é que tenho de comprar o meu equipamento, não?"
Meus amigos... ninguém pediu para serem árbitros!!!
Foi uma escolha pessoal, acredito que motivada pela paixão pelo desporto... mas que implica regras a respeitar.
E se sabem as regras do jogo, sabem também as regulamentações sobre o que devem levar como equipamento, as horas de chegaa, elementos a verificar...acho eu... mas peço desculpa se estiver errada.
Certo que o correcto é terem o equipamento no final do curso, ou pelo menos as indicações de como e quando o vão receber.
Mas isso não serve de argumento para não irem apitar, pelo menos, com calças brancas e camisola ou pólo branco!

Se calhar hoje em dia as coisas estão muito facilitadas. Ou as pessoas muito acomodadas. Ou o ser árbitro" não significa respeito pelos colegas e pelas equipas... Se calhar hoje em dia ou se dá tudo... ou as pessoas não fazem nada próactivamente? (é mesmo uma dúvida minha, chamemos-lhe um existencialismo, que não quero generalizar)
Quando não havia nada e se apitava por amor à modalidade (pois hoje em dia com algumas posturas e atitudes, por mais que se diga que é por amor à modalidade... custa-me a acreditar), ningém reclamava ou deixava de ir apitar correctamente equipdo por "não lhe terem dado equipamento".
Hoje em dia parece que há muitos árbitros que estão a fazer um favor às equipas em irem apitar, que fazem um favor às Associações e Federação e por isso não vão equipados correctamente, não chegam a horas, etc...
Se estou a ser demasiado dura, lamento!
Não quero aqui também generalizar... mas que há muitos casos destes... há... e eu não sigo jogos em todo o país... só recebo o feed-back de quem vai...

Reconheço que todos os árbitros tem outra actividade (estudam, trabalham) e que se arbitram é porque gostam do desporto e de uma forma ou de outra querem estar ligados à modalidade (duvido que seja pelo dinheiro) e prejudicam com isso os seus tempos livres, vida familiar e social. Mas, mais uma vez refiro que, é uma opção consciente de cada um.

Exactamente por isso... ou TODOS colaboramos para uma boa imagem... ou vamos continuar durante anos a fio a discutir "o sexo dos anjos"... a procurar culpados... e a penalizar a imagem da arbitragem e o respeito pelas equipas.
Não estou (novamente) a querer culpabilizar os árbitros ou "desculpar" as Associações ou Federação das suas responsabilidade, mas sejamos claros... esta postura de ir apitar de qualquer maneira porque não se tem equipamento???
Se não recebeu equipamento podem sempre escolher uma de 2 opções (e muita gente, muito mais nova que muitos árbitros "antigos" é o que faz e comparece equipada):
  • Falar com a Associação onde está filiado para ter um equipamento (viram... a indirecta das filiações...)
  • Arranjar o seu próprio equipamento.
Em muitos países que são potências de pólo aquático, os árbitros no final do curso tem de apitar bastantes jogos para terem direito a receber o equipamento.
Acham que eles os apitam vestidos de qualquer maneira? Sem irem de branco?
Enganem-se. Um árbitro que falhar no respeito das regras e do vestuário, além de ser penalizado, se for estagiário arrisca-se a não chegar a ser árbitro (e falo de pelo menos 15 jogos para deixar de ser árbitro estagiário).

Aqui é que achamos que nos devem tudo, e se não pagam... em vez de ir buscar o "dinheiro"... ficamos a reclamar e a apontar "culpados" em vez de agir.
Já para não falar da credibilidade junto das equipas. Um árbitro que vai sempre devidamente equipado (ou pelo menos de acordo com as regras se não conseguiu ter um equipamento "oficial" junto da sua Associação), chega sempre com a antecedência mínima, faz as verificações todas... é muito mais facilmente desculpado pelos erros que cometa que um árbitro que vai de calções, calças de ganga, camisa ou camisola de praia, etc, etc.

E... será que os árbitros não tem o contacto do árbitro que vai fazer dupla com ele, não conseguem falar um com o outro e comparecerem de igual?
Vamos continuar a assistir a cada árbitro equipado de sua maneira, por falta de comunicação? (sim, porque até existirem regras definidas sobre equipamentos, e equipamentos para todos... porque não comunicarmos internamente? E dar uma melhor imagem).

Acreditem que o equipamento, chegar a horas, etc... faz a diferença!!! E posso dizer que muitas vezes sinto isso na pele, apesar de não ir de calças brancas (sim, eu sei... dou sermões e sou a primeira a falhar - vou corrigir isso), pois a postura de respeito para com as equipas tentando chegar sempre a horas, com pelo menos uma t-shirt branca (já que estou como oficial), faz com que muita gente tenha a ilusão que sou um bom árbitro... sem nunca me ter visto apitar... e sou tão má como qualquer outro arbitro que não apite regularmente, acreditem!
Por isso acredito que a moralização da arbitragem deve vir, em primeiro lugar, dos próprios árbitros enquanto representantes da arbitragem.

domingo, 16 de março de 2008

Jogos filmados - proposta

Boa noite

Tenho reflectido nos comentários que ouço de árbitros e equipas sobre as dificuldades de evolução e formação de novos árbitros. Mas a verdade é que uma das razões para os árbitros não conseguirem evoluir mais depressa ou serem mais acompanhados é (temos de o admitir) a falta de pessoas qualificadas para o fazer.

Hoje em dia, com as equipas a aumentarem (o que é excelente para a modalidade), com as quantidades de torneios locais, regionais, internacionais, Campeonatos Nacionais dos mais diversos escalões (M/F), ..., é necessário ter uma enorme estrutura de arbitragem - que espero que com tempo e colaboração de todos se consiga montar.
Por outro lado, sabemos que TODOS nós possuímos (diria mesmo de forma quase inata) o "síndrome de treinador (ou árbitro) de bancada", e que vemos tudo o que o "imbecil" do árbitro não vê (como se ouve repetidamente, em qualquer jogo, de qualquer modalidade).

Mas só quem já apitou sabe:
  • A dificuldade de tomar uma decisão naquela fracção de segundo. É que ou se apita... ou já passou.
  • A pressão de ter sempre jogadores, treinadores e, muitas vezes, o público entusiasta aos berros ou a insultar constantemente.
  • A dificuldade que é ter a experiência e a capacidade de se distanciar do jogo ou da situação a decorrer e antecipar as situações, LER o jogo (isso requer alguns anos de experiência, mesmo para o melhores árbitros em termos de conhecimento de regras).
  • A dificuldade (nada é impossível quando se quer e se pensa nisso) de analisar o jogo à posteriori, tranquilamente, sozinho ou com alguém experiente.
Penso que é razoável assumir que, especialmente para os árbitros que começam na modalidade, ou para os que tem menos experiência (não descurando qualquer outro árbitro), seria excelente poderem, de cabeça mais fria ou relaxada, ver a filmagem do jogo e tentar analisar a sua arbitragem, a postura, o que estava bem feito e o que, eventualmente poderia melhorar.

O ideal seria cada árbitro ter uma pessoa na bancada que filmasse o jogo, para mais tarde ele poder fazer a análise da sua actuação (a exemplo do que já fazem a maioria das equipas portuguesas e quase todas as internacionais). Mas compreendo que seja difícil e para muitos irrealizável (nem todos tem câmaras de filmar, quem possa fazer a filmagem, etc.).

É aqui que surge uma proposta, que implica a colaboração dos clubes:
  • Todos os clubes que fizessem a filmagem dos jogos, enviariam para aqui os filmes dos jogos, que seriam colocados numa base de dados para consulta dos árbitros e de quem os quisesse ver e analisar.
  • Desta forma os árbitros tinham a colaboração dos clubes numa ferramenta que os vai certamente ajudar a evoluir, e as pessoas que os podem formar e acompanhar, na impossibilidade de o fazerem de uma forma regular ou constante, tem também uma forma de fazer o acompanhamento à distância, visionado.
Que vos parece?
Mais uma coisa difícil?!
Utópica?
Ou algo que se poderia facilmente por em prática desde ... já?

Como vos disse na outra mensagem, estou disposta a servir de elemento de ligação para a disponibilização das filmagens (já ando a pesquisar forma de as colocar num formato mais leve numa base de dados do blog... que isto, como tudo na vida, se vai aprendendo devagarinho).

Aguardo os vossos comentários (árbitros e clubes e, porque não, Associações).

Credibilidade e imagem

Tenho algumas dúvidas (sei que derivadas do meu idealismo ou inocência... mas que existem)...

  • Quando uma pessoa tira um curso de arbitragem, é porque quis tirar, certo?
  • Ninguém a obrigou a tirar o curso, da mesma forma que ninguém a obriga a apitar jogos (quantas dezenas, para não dizer centenas de pessoas já tiraram o curso só para saberem as regras, ou para serem oficiais...), correcto?
  • Quando tiram o curso, já viram vários jogos, já viram diferentes estilos de arbitragem e de postura, certo?
  • Durante o curso tem uma parte sobre postura, ética, etc..., correcto?
  • Sabem (e já viram) que um árbitro deve ter - equipamento, apito, cartões... certo?
  • Presumo que viram jogos internacionais (torneios, TV, etc...) e que viram a postura e atitude de um árbitro internacional e dos oficiais, ... correcto?
  • Tem noção do que as regras dizem sobre as comparências dos árbitros aos jogos, deveres, etc... correcto?

Então não percebo!!!

Ou tirei o meu curso há anos demais (o que é bem possível)... ou vejo demasiados jogos internacionais (sejam provas internacionais ou arbitragens de campeonatos nacionais noutros países)... mas não consigo ver o que se passa aqui!

Não quero, com este texto, atacar a arbitragem (como já expliquei algumas vezes, o objectivo é melhorar e consciencializar... e dar voz...), mas também não posso defender atitudes e posturas como as que se observam hoje em dia (e infelizmente são de há muito tempo e não só de agora).

  • Porque se respeitam comportamentos, posturas e regras em eventos internacionais e não se respeitam no nosso campeonato (e não só de árbitros internacionais, mas de oficiais, árbitros nacionais que apitam torneios internacionais, etc...)?
  • Porque é que o árbitro tem de receber tudo de mão beijada e se não recebe, em vez de procurar (pois é a sua imagem, credibilidade e... função), se queixa que não recebe?
  • Porque não se dizem logo as coisas, se deixa andar como se tudo estivesse bem e só se fala muito tempo depois?
  • Acima de tudo, porque não se respeitam as regras, a equipa e a imagem da arbitragem?
Se estamos a lutar por evoluir e fazer crescer a arbitragem, vamos todos assumir as nossas culpas e responsabilidade!

Não vamos colocar as "culpas" ou responsabilidade exclusivamente nas Associações, Conselhos de Arbitragem, Federação... mas vamos assumir a responsabilidade de, em muitos casos, os árbitros serem os primeiros a não darem a melhor imagem e credibilidade (por inércia, por comodismo, ... nem sei porque...).

E contra mim falo, pois há algum tempo que não uso o meu equipamento completo de árbitro (ou oficial). Mas eu também me deixei arrastar pela falta de definição de critérios nos equipamentos que cada um leva. Até eu (meu Deus... parece que sou "perfeita" ou "superior"... e não é nada disso) já cheguei atrasada, já tive de faltar a jogos imprevistamente, etc....

Mas assumo que falho e falhei e tento corrigir.
Sou HUMANA, mas espero ter (ou conseguir) a humildade de reconhecer os erros.

Acima de tudo, há algo que não me podem acusar (acho eu... mas posso estar errada) de não tentar respeitar as equipas ao máximo.

Tento chegar com muita antecedência para verificar o equipamento (como aprendi e como verifico a nível internacional), tento pelo menos ter uma camisola de árbitro vestida, verificar cartões e campo de jogo e cronometragem... e posso-vos dizer que devo ter feito um curso diferente, pois... na maior parte das vezes sou a única pessoa presente até faltarem cerca de 10 minutos para o jogo.

Será que 10 minutos (ou 5 ou menos como acontece por vezes - mas chegar antes da hora de início do jogo não é chegar atrasado...) é tempo bastante para verificar o campo de jogo, os cartões, fazer uma acta de jogo, etc....?

Ou sou eu que sou demasiado exigente? E no novos cursos isso não é ensinado aos árbitros?!!!

O que acham?
Será que estes detalhes não ajudam a dar uma melhor imagem?
Será que realmente só interessa se sabe aplicar correctamente as regras ou não?

Como dizia alguém... como podemos exigir algo a alguém se não somos os primeiros a ter a casa arrumada?!
Será que não nos estamos a transformar numa classe que exige muito, acha que é pouco e em vez de fazer algo por isso... se refugia noutras coisas, usando-as como desculpa?

Gostava de ter a vossa opinião (atletas, treinadores, árbitros) sobre esta questão... pois assumo que para mim TUDO faz parte de ser um bom árbitro... pois quem conhece as regras... também conhece esta parte, certo?

Fica a questão...

sábado, 15 de março de 2008

Fim de semana

Olá de novo.


Qual a vossa opinião sobre os jogos da jornada deste fim de semana?

Preferia saber a vossa opinião sobre o que "viveram" nos jogos desta jornada - o que sentiram em relação ao jogo, atletas, árbitros, etc... (por isso este pedido é para árbitros, equipas, etc...) em vez de entrar já em debates sobre eventuais erros dos árbitros (mas são livres de partilhar a vossa opinião... se possível sem personalizar e, claro, se vamos criticar alguém em especial... assinamos, certo?).

Mais... se tiverem a gravação dos jogos (deste fim de semana ou desta época) - podem enviar-me uma cópia (o mail está no meu perfil)?

Se possível num formato que possa ser enviado por mail (e se não for pedir muito... que possa ser colocado na internet)?

Obrigada pela vossa colaboração :-)

E pelo apoio e contribuições que tem feito e que fazem com que se consiga debater tudo e, com a colaboração de todos, propor algumas soluções.

Informação sobre o blog

Olá

Pequeno esclarecimento sobre a autoria do blog e qual o seu objectivo (que penso ser necessário em função de alguns comentários que li aqui ou que me foram feitos, e do lançamento quase simultâneo de dois blogs).
Este blog foi criado por mim, Paula Cruz (ÚNICA moderadora e animadora - pelo menos por agora) e COM UM ÚNICO OBJECTIVO (que acabam por ser vários em um):

  • Que TODAS as pessoas que estejam directa ou indirectamente ligadas à arbitragem de pólo aquático (árbitros, jogadores, treinadores, delegados, dirigentes, oficiais, público em geral, ...) possam dar as suas opiniões sobre casos que se passaram ou passam, dúvidas que tenham, procurar ajuda na resolução de alguma situação e, acima de tudo, para que se possam trabalhar em conjunto soluções para a crise que existe actualmente na arbitragem.
Sendo a arbitragem uma actividade que nunca suscitou ou suscitará consenso, acredito que devemos observar os comentários como uma forma de partilhar o que se passou e não como ataques pessoais (a instituições ou a pessoas). Servem para reflexão e não para criar mais guerras ou atritos.

No entanto, é possível que as pessoas tenham as suas razões de queixa em relação a esta ou aquela pessoa - se quiserem comentar indicando a situação, só aceitarei comentários devidamente identificados com o nome do autor.

Todos temos a noção que existirão sempre opiniões sobre este árbitro ou aquele, sobre o regionalismo a norte, no centro, no sul, etc!

SÃO OPINIÕES!

Há que respeitar... ou debater directamente. Penalizar uma pessoa por ter uma opinião contrária à nossa ou que achamos não ser a correcta... não é a forma de fazer avançar as coisas!

Mas vamos ser adultos...
Será que há algum árbitro que nunca tenha errado?
Algum jogador que nunca tenha falhado?
Um treinador exemplar que nunca perdeu a cabeça?

Então vamos parar de fazer ataques pessoais (ou parar de encarar as opiniões como ataques pessoais) e trabalhar para melhorar a arbitragem (é esse o meu objectivo, o que levou à criação deste blog e o que gostava que fosse o objectivo de todos).

E se tiverem alguma dúvida sobre o objectivo do blog - terei o maior prazer em vos esclarecer. Mas peço que não façam "esclarecimentos" por mim, pois apesar de algumas pessoas não acreditarem... já sou bem crescida e sei o que pretendo alcançar com este lugar de debate e partilha - e não preciso nem quero que alguém o faça por mim.

Conto, como sempre, com as vossas ideias e partilha de opiniões, os vossos comentários pessoais aos posts ou a outros comentários...
E APESAR DE ESTE SER UM BLOG DE TODOS, PARA TODOS E COM TODOS...
gostaria de recordar que, apesar do vosso contributo nas opinioes e comentários, reconheço em mim, e só em mim, as capacidades necessárias para seguir em frente e/ou moderar... porque isto meus amigos... por enquanto é um projecto pessoal para partilha de ideias, debates, procura de soluções e que conta com a vossa colaboração (e uma outra postura pode induzir em erro terceiros - apesar de me sentir honrada por defenderem as vossas opiniões no forum considerando-o como sendo o espaço que criaram... nesta fase inicial "nós" não defendemos nada no blog, mas "eu" defendo as minhas ideias e as que me transmitem para debate - para que todos possam dar a sua opinião e contributo - a favor ou contra, como numa verdadeira democracia...).

Por último... nesta primeira fase, de "aquecimento" gostaria de me dedicar mais aos aspectos que rodeiam a parte de imagem, credibilidade, responsabilização. A 2ª fase, se conseguir os apoios que procuro, já poderemos entrar mais na técnica (nesta parte espero poder contar com os clubes).

Obrigada por lerem este esclarecimento.

Paula - Arbitragemwppt

sexta-feira, 14 de março de 2008

Director Técnico para a arbitragem?

Em conversa com alguns apaixonados pelo pólo aquático chegámos à conclusão (talvez errada) que um dos problemas de hoje em dia é que não há verdadeiramente uma pessoa a tempo inteiro dedicada à arbitragem.

O que queremos dizer com isto?
Na Natação existem directores técnicos, seleccionadores, etc...
No Pólo Aquático e na Sincronizada, idem...

Todas estas pessoas são staff remunerado, pela Federação ou pelas Associações (que tem os seus directores técnicos e seleccionadores regionais), para apresentarem planos de desenvolvimento, de crescimento, resultados (não vou entrar em debates sobre os resultados desses planos, pois não é esse o objectivo aqui), etc..

Porque é que a arbitragem não tem um "Director Técnico Nacional"?
Uma pessoa (ou mais, se necessário) que criasse os planos de desenvolvimento da modalidade, de acompanhamento, de incentivo à formação de novos árbitros, etc.

Porque continuamos a aproveitar a "boa vontade" e empreendorismo das pessoas que constituem os Conselhos de Arbitragem Regionais e Nacional (e que tem os seus próprios empregos) para desenvolver a modalidade?

Não seria altura de se parar, pensar no benefício acrescido que traria existir uma tal pessoa (vamos chamar-lhe "Director Técnico Arbitragem" para maior facilidade)?
Se até nas entidades internacionais e na maioria das Federações Internacionais existe um Comité de Arbitragem, não teríamos todos a ganhar de ter uma situação destas a nível nacional?

Uma pessoa que não iria ocupar os seus tempos livres a investir na arbitragem, mas que faria disso a sua missão e o seu projecto e que como tal seria remunerada?

Acredito que a modalidade (Pólo Aquático e Arbitragem) só teria a ganhar com isso!
Esta pessoa teria disponibilidade total para reunir com Associações, fazer acções de formações nos clubes, acompanhar os novos árbitros, fazer o seguimento das compromissos de cada árbitro em cada época, esclarecer dúvidas, fazer o seguimento da postura e equipamentos que os árbitros usam, as classificações de cada época que originam promoções a novas categorias, manutenção ou despromoção, etc.
E sendo um "profissional" dedicado à arbitragem, só teria vantagens em ver crescer a classe e em acabar ou evitar os conflitos existentes, clarificando as dúvidas que possam aparecer ou surgir.

Não vou ser utópica ao ponto de dizer que algum dia a arbitragem será consensual (nunca foi em nenhum lado do mundo... não me parece que aqui fosse).
Mas pelo menos havia um interlocutor 100% disponível, que era pago para isso.

Que vos parece esta proposta?

Fim de semana

Mais um fim de semana que se aproxima, mais uma jornada de arbitragem!

Desde já vos quero agradecer o apoio e as vossas opiniões. Penso que serão o primeiro passo para realmente se debater o que está mal (e bem) e o que deve ser mantido e/ou corrigido.

Acima de tudo, agradeço aos que me enviaram propostas, informação sobre arbitragem noutros países e noutros desportos (que espero publicar brevemente).

Analisem o que se passar no fim de semana (não vou entrar em boas e más arbitragens) e comentem aqui.

Relembro-vos a todos que, sendo isto um blog, é para exprimirem as opiniões.
E cada um tem a sua (mesmo ganhando ou perdendo, sabemos que a arbitragem raramente é valorizada).
Devemos respeitar essas opiniões (mesmo contrárias à nossa), desde que não se destinem a denegrir directamente a imagem de uma pessoa ou entidade.

Relembro que árbitros que se iniciam e árbitros internacionais são... HUMANOS!
E todos erram - uns mais, outros menos... mas ninguém é perfeito (e isto não é para defender árbitros, porque as equipas também falham... é uma das consequências da sua humanidade).

Com a colaboração de todos vamos conseguir ter uma arbitragem melhor e como consequência árbitros motivados e equipas animadas, incrementando assim nossa modalidade.

BOM FIM DE SEMANA!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Filiações

As filiações são mais uma das situações com que a arbitragem se debate hoje em dia.

Quais os critérios para se estar filiado?!
Deveriam ser simples... uma pessoa faz o curso de árbitro ou de oficial e vai-se filiar na sua Associação Regional, na Associação de Árbitros e na Federação.

Porque é que hoje em dia não é feito, controlado ou respeitado por muitos árbitros?
Será que acham que não é necessário?
Pedimos aos clubes e atletas uma série de "provas" em como estão filiados (cartões da FPN, Fax com a inscrição e BI, etc., etc.).
Pedimos aos treinadores prova dos cursos que tiraram para exercerem a função e se poderem chamar treinadores.
Mas aos árbitros.... pelos vistos não se pede nada!

E a filiação tem um sentido - além de estarem inscritos nos escalões e categorias correctas como atletas, dirigentes, treinadores ou árbitros ... tem a segurança de estarem cobertos por um seguro desportivo.

E os árbitros?
Uma vez que muitos deles não estão filiados (nem na ANAN, nem nas Associações Regionais e muitos nem na FPN)... que provas temos das suas capacidades? Que seguro existe no caso de sofrerem algum tipo de acidente? Tem todos seguros pessoais?

Acredito que há muita coisa a mudar e não pode ser tudo feito de uma vez, mas se queremos dar moralidade e garantir a ética na classe, devemos começar por alguns básicos:

  • Tirou um curso (e quer apitar) => deve ser inscrito na sua Associação Regional, FPN e ANAN
  • Está a renovar a licença de arbitragem => deve ser inscrito na sua Associação, FPN e ANAN
  • Tirou o curso => deve receber um equipamento de árbitro (da sua Associação, partindo do princípio que apitará regionais no início), que deve ter um critério uniforme a nível nacional.
  • Tirou o curso mas por contingências diversas ou pela qualidade da arbitragem é colocado a apitar nacionais => deve receber um equipamento da FPN (nem que se criem 2 distintos para diferenciar novos árbitros de outros mais antigos...)
  • Devem ter um mínimo de jogos por ano a apitar para manterem a categoria
  • Devem assinar um termo de responsabilidade em relação ao equipamento
  • Deveriam concordar em participar em acções de reciclagem.
  • ..., ..., ...

Não estão filiados.... não apitam!
Um jogador que não está filiado, não pode jogar!
Um treinador ou delegado que não está filiado, não pode estar no banco!
Porque poderia um árbitro apitar sem estar filiado?!

E não nos enganemos - a responsabilidade de se filiar cabe ao árbitro.
Não é às Associações ou à FPN que compete andar atrás dos árbitros para se filiarem!
Alguém já viu estas entidades atrás dos clubes para filiarem os jogadores?
Se não estão filiados... não jogam! Simples, não é?

E devia ser simples também para a arbitragem - afinal, é no interesse de todos!

Que vos parece?

Pagamentos

Um dos problemas já referidos abaixo (Visão 2003) e que me tem chegado por mail desde que iniciei este blog (e discutido oralmente nos vários anos em que estou ligada à arbitragem e ao pólo aquático), é o dos pagamentos aos árbitros.

Algumas das questões:

  • Quando são feitos os pagamentos?
  • Porque é que ainda não recebi e há meses que apito jogos?
  • Sou árbitro distrital/regional mas tenho apitado nacionais, quem me paga?
  • Qual o valor a pagar pelas deslocações?
  • Como são calculadas as distâncias?
  • Há alguma tabela que indique os valores das distâncias?
  • Se vou de uma piscina para outra, como pagam a deslocação?
  • O valor dos jogos nacionais é diferente do valor dos jogos regionais?

Infelizmente não vos sei responder a algumas questões, nomeadamente a questão das deslocações, mas vou procurar uma resposta e publicarei logo que a obtenha.

Quanto aos pagamentos, "per si", o que se poderá dizer?
Certo que a arbitragem é um actividade amadora, mas hoje em dia não há nenhuma entidade que faça os pagamentos atempadamente (e como sabemos, não é uma situação de agora).
Se os árbitros fossem profissionais que trabalhassem numa empresa ou entidade (pública ou privada), saberiam que a sua actividade seria remunerada semanal, quinzenal ou mensalmente, em datas certas e préviamente fixadas.

Porque é que isso não acontece numa actividade amadora, feita (em muitos casos) por amor à camisola?

Algumas soluções simples e que se podem propôr:

  • a afixação da tabela de deslocações (penso que mais importante que saber o valor do km seria que todos soubessem como são calculados, quando tem ajudas de custo para alimentação, etc...)
  • afixação de um plano de pagamentos em que se indicassem as datas em que iriam ser efectuados os pagamentos e a que jornadas ou eventos correspondiam.
  • Afixação de uma tabela indicando as actividades ligadas à arbitragem que são pagas (ou não), evitando considerar algumas actividades como trabalho voluntário.
  • Uniformização de critérios - o valor a pagar aos árbitros e oficiais seria o mesmo para jogos nacionais e regionais.
  • Valores claramente definidos para cada categoria de árbitros (com a ressalva de, por vezes, se terem árbitros regionais a apitar nacionais, em que esses jogos seriam pagos pela categoria de árbitro nacional)

E estas informações seriam publicadas no início de cada época (não invalidando a sua actualização, se necessário), por exemplo, no site da FPN e nos sites das Assocações.

Desta forma evitavamos as perguntas constantes dos árbitros sobre "quando serei pago?", "quanto vou receber?", as desistências e recusas de apitar por faltas de pagamentos, ou continuarem a existir árbitros que apitam regularmente sem serem pagos que ao fim de algum tempo, por muito amor à camisola que tenham, acabam por desmotivar.

Se é uma actividade amadora, vamos respeitar as pessoas que a ela se dedicam e criar incentivos e formas de manter os bons elementos, certo?

Que vos parece como solução? Viável? Simples? Complicada? Impossível? Mudança de mentalidades?

quarta-feira, 12 de março de 2008

Regras e Regulamentos

Uma vez que estamos a debater o estado actual da arbitragem, que se discute a falta de critérios uniformes e muitas vezes se comenta mesmo a má ou incorrecta aplicação das regras e regulamentos... pensei dar uma ajuda e coloquei-vos na barra lateral um link para as regras e regulamentos de Pólo Aquático.

Vão encontrar as regras e regulamentos gerais da FPN, o Anexo com o regulamento específico para a disciplina de Pólo Aquático mas, mais importante, vão encontrar os regulamentos da FINA (que são aqueles que regem a arbitragem a nível mundial).

Sugiro que leiam ATENTAMENTE os regulamentos e, mais importante, os anexos A, B e C (para os que tiverem dificuldades em inglês, entrem em contacto comigo que terei o maior prazer em vos procurar uma versão portuguesa para enviar - e posteriormente colocar no site).

Aproveitem para colocar as vossas dúvidas em relação à aplicação das regras - assim poderemos fazer um debate e, com a ajuda dos especialistas, chegar a uma conclusão que acabe com as dúvidas de todos.

Desta forma não há desculpas para que Clubes, Treinadores, Atletas e... Árbitros aleguem o desconhecimento das regras ou da sua aplicação.

Quanto a critérios, infelizmente, é algo que depende do Conselho de Arbitragem e que deverá ser comunicado e debatido, não só em reunião nacional de árbitros e oficiais, mas igalmente com a participação dos clubes (desta forma a informação é clara para todos os intervenientes no nosso desporto).
Ficaremos a aguardar o que terão para nos propor.

Ética - Formação moral

Muito se tem dito e escrito sobre a formação dos árbitros e a sua conduta.

Não entrando nesse debate, acredito que se deveria entrar num sistema similar ao usado internacionalmente, em que os árbitros anualmente assinam um documento com as regras de conduta e ética definidas.

Uma redundância, dirão alguns, pois faz parte do processo de ser árbitro.
É possível... mas também sabemos que um compromisso formalizado por escrito tem outra força e é mais respeitado (talvez uma questão de mentalidade).

Junto-vos um ficheiro com o código de ética elaborado pelo Comité de Árbitros dos USA, bem como uma tradução "livre" do mesmo (para ajudar os que não estão tão à-vontade no inglês).

Que vos parece começar por um passo destes?

São coisas tão simples, mas que a maioria de nós (enquanto árbitros e oficiais) tem tendência para esquecer!

Código de Ética Árbitros Pólo Aquático USA (versão EN)

Código de Ética Árbitros Pólo Aquático USA (versão PT)

terça-feira, 11 de março de 2008

Visão 2003

Ao arrumar os meus papeis, descobri uma mensagem que me foi enviada em Outubro de 2003 por um jogador de pólo aquático e árbitro, que fazia um desabafo sobre a arbitragem em Portugal.

Aqui a transcrevo (ligeiramente "cortada" para retirar nomes e situações que não são relevantes), para que vejam se o problema é recente ou não:

"O sector da arbitragem tem sido fustigado desde o renascimento da modalidade em Portugal. Os cursos existem, mas reciclagens nunca foram realizadas. Primeiro seria importante perceber qual a razão que fez com que muitos árbitros se afastassem da modalidade. Com certeza por falta de motivação, falta de pagamentos federativos e, acima de tudo, por ausência de um organismo forte que protegesse os árbitros. (...) Tudo isto só demonstra falta de credibilidade e bom senso de quem manda na modalidade. O que quero dizer é que, se existirem cancros dentro do sector, estes não podem estar disponíveis para apitar, isto é, a imagem dos árbitros também tem de ser preservada. Um atleta ou treinador que tenha um comportamento anti-desportivo para com um árbitro, não reune condições para apitar.
Um dos grandes problemas da arbitragem é a falta de um criterio similar, ou seja, o que é um penalti para um árbitro do norte é expulsão para um árbitro do sul. Os atletas têm, por isso, que se adaptar à forma como o árbitro apita, qando os atletas de devem é adaptar-se à forma como as regras são. Hoje em dia os árbitros fazem aquilo que querem. Não são "fiscalizados" e por isso podem apitar da forma como bem entendem. Ninguém está a avaliar o seu desempenho.
Estas primeiras palavras são mais um desabafo.

Sugiro então algumas medidas para melhorar o sector da arbitragem:

  • Cursos de arbitragem, pelo menos uma vez por ano
  • Reciclagens anuais
  • Acções anuais de reciclagem nos clubes, com o objectivo de aproximar os atletas aos árbitros
  • Pagamento aos juizes até ao final da semana em que se realiza o jogo, via transferência bancária
  • Nomeação dos árbitros: nomear os melhores árbitros para os jogos mais importantes com, pelo menos, 10 dias de antecedência
  • Nomeações de um número de delegados para avaliar os árbitros. Esses delegados devem ser os árbitros internacionais. Um árbitro internacional que esteja a apitar deve, na mesma, ser avaliado por um outro árbitro internacional.
  • Deverá ser elaborado um relatório sobre o jogo, com a atribuição de uma nota final, que posteriormente se reflectirá numa tabela classificativa (esta classificação deve ser ponderada mediante o grau de dificuldade dos jogos)
  • Terão de ser criadas medidas penalizadoras para os árbitros que cometam erros graves num jogo, que passem pela não nomeação para jogos futuros, nomeação para jogos de menor importância, etc... (...)
  • As nomeações terão de ser mais diversificadas, dando a novos árbitros a possibilidade de evoluirem
  • Acabar com regimes de excepção. Aquele árbitro recusa-se a apitar determinado jogo - isso tem de acabar. Evidentemente que o orgão que nomeia deve evitar nomeações que possam suscitar desconfiança por parte dos clubes, devido à ligação dos árbitros com determinados clubes
  • "Apertar" com os oficiais de mesa no sentido de fazerem as actas correctamente (primeiro e último nome do atleta).
Creio que, para já, é tudo o que me lembro"

Este era o desabafo em 2003.
Alguém quer desabafar sobre 2007/2008?

caça às bruxas?!

Mais uma vez tenho a consciência que falar, dar opinião, sugerir o debate e a comunicação é entendido como caça às "bruxas", procurar os "maus", apontar o "dedo", etc....
Não é este o meu objectivo, nem o deste blog.
Acho que chega de se apontar dedos, procurar "culpados" e se deve pensar no envolvimento de cada um e como se pode contribuir para fazer avançar a arbitragem e com credibilidade.
O problema de hoje na arbitragem não é consequência da acção de uma pessoa e/ou de uma entidade. É um problema que vem de trás e se está a agudizar, e sem a colaboração de todos e COMUNICAÇÃO... não se resolve!
Tenho a noção que não estou tão por dentro da arbitragem como muita gente neste país - mas no meu caso estão dezenas (já não serão centenas pois muitos foram desistindo) de árbitros.

  • Quanto de nós tem tempo de ir ver o que se faz lá fora?
  • Quantos contactam com clubes, federações, associações internacionais, estudam o que fazem e procuram trazer esses ensinamentos para cá?
É fácil apontar o dedo, fácil culpar alguém, mas é mais dificil deixar de se colocar no papel de vítima e procurar activamente soluções.

É esse o meu objectivo principal e espero que, com a vossa ajuda, se consigam debater os problemas que existem, aprender com exemplos internacionais (de países com uma cultura de pólo aquático e arbitragem muito superior à nossa) e, quem sabe, fazer avançar a arbitragem em Portugal de um modo global e consolidado (em vez de avançar de um modo individualizado e sem sustentação como parece ter sido o caso até agora).

Não vos vou falar com linguagens rebuscadas, nem com termos técnicos- pretendo que seja um espaço convivial e aberto a todos.
Todos conhecem as regras ou sabem onde as ir procurar (se não soberem, vejam os links no site).
Vamos falar é do que se pode fazer... como avançar... e como apoiar e/ou corrigir os erros feitos até agora.
Conto com a vossa ajuda e opinião para isso.

segunda-feira, 10 de março de 2008

O que se passa?

O que se passa com a arbitragem de pólo aquático em Portugal?

Hoje em dia assistimos a jogos só com um arbitro, sem oficiais de mesa, com árbitros que acabaram os seus cursos e estão a apitar jogos nacionais da 2ª divisão, árbitros que não comparecem, árbitros regionais a apitar nacionais, etc, etc....
Já para não falar da falta de postura da maioria dos árbitros:

  • cada um leva o equipamento que está mais à mão, sem uniformização ou usarem o equipamento que lhes foi dado (ou deveria ter sido) pelas Associações e/ou FPN
  • chegam à hora do jogo em vez de chegarem com pelo menos 30 minutos de antecedência
  • não verificam o terreno ou a cronometragem
  • não há rigor, uniformidade nem critérios nas actas ou nos relatórios
  • ..., ..., ...
De quem é a culpa?
É a questão que todos colocam.

  • Certamente não será dos clubes, dizem uns
  • Não é da FPN, pois convoca os árbitros, dizem outros
  • Não é dos árbitros, pois são convocados na véspera e sem critérios, dizem estes
  • ... e poderia aqui acrescentar dezenas de outros argumentos.
Meus amigos, o que vos digo é que isto é um ciclo vicioso, que é causado pela falta de informação e de comunicação entre todas as entidades envolvidas (Conselho Nacional de Arbitragem, Conselhos Regionais, Árbitros, Oficiais, Associações, Clubes, ...) e em que os grandes prejudicados são os atletas e a modalidade em si, já para não falar da arbitragem enquanto classe "profissional".

Enquanto não houver seriedade, rigôr e profissionalismo na arbitragem e em quem comanda os destinos da arbitragem, existirão sempre guerras, birras, lutas por poder pessoal, etc.... mas nunca se pensa no objectivo principal da arbitragem - ajudar a desenvolver uma modalidade com regras e critérios claros, definidos e do conhecimento de todos os intervenientes!

  • Porque não há comunicação?
  • Um sistema de avaliação - talvez não sobre os critérios de arbitragem, mas uma fase inicial sobre a assiduidade dos árbitros, a regularidade, a postura?
  • Porque não se faz como noutras modalidades em que os árbitros que estão sempre doentes, ou que sistemáticamente adoecem nas véspera (ou no proprio dia), que tem sempre trabalho, etc, etc.. são penalizados?
  • Porque não se acompanham os novos árbitros no início de carreira?
  • Porque não se incentivam os árbitros a ir apitar noutras áreas, nos clubes, porque não se cria um sistema de "treinos" a exemplo de outras modalidades?
  • Porque não há uma forma clara e transparente dos árbitros poderem comunicar com quem de direito e terem resposta?
Tenho noção que é uma mudança de mentalidades radical, mas... não se deve começar por algum lado para moralizar a classe?
Não se deve promover o contacto com os clubes para fomentar a sua participação na arbitragem, inclusive convidando os árbitros para jogos de treino, criando um calendário nacional, informando num site do Conselho de Arbitragem, da FPN, das Associações Regionais e de Classe?
Não se devem escolher os árbitros que se querem investir na arbitragem em detrimento dos que consideram que a modalidade é feita por eles e para eles (ou uma rampa de lançamento para outros voos), ou que a encaram como uma forma de rendimento ou de moralizarem o ego pelo "poder" que acham ter?

Fica o pensamento...