segunda-feira, 17 de março de 2008

Árbitro - postura, credibilidade, imagem

Sei que já falei sobre isto noutro post... mas gostava de voltar a debater este assunto (desculpem, é algo que me é muito chegado ao coração).

Quando tirei o meu curso de árbitro, literalmente no século passado (ai a idade que não perdoa), não havia equipamentos dados pela Associação ou Federação.

Os árbitros compravam a sua roupa branca (pelo menos as calças - que a mim nunca me deram, cada um tinha um modelo... por isso assumo que não davam a ninguém) e era com isso que iam arbitrar.
Mais tarde surgiram uma calças da Pronado (passe a publicidade) e umas camisolas (para árbitros nacionais) e só muito mais tarde se começaram a ver equipamentos para a arbitragem feitos por algumas associações e pela federação (Arena).

Qual é a "moral" nisto?
Se queríamos apitar, sabendo que o equipamento devia ser branco, o árbitro comprava do seu bolso.
Porquê?
Porque fazia parte da imagem de árbitro, da credibilidade, do tal respeito pela arbitragem.
Porque relanço este assunto?
Ao contrário do que alguns possam pensar, não é com base no que vi este fim de semana (não é nenhuma indirecta), mas no que tenho visto nos últimos anos ligada à arbitragem.
  • árbitros que apitam de calções
  • árbitros que apitam de chinelos de praia e calções de surfe
  • árbitros que vão vestidos como se fossem sair ou tivessem vindo de férias
  • árbitros que não levam apito (tantos... )
  • etc, etc, etc.
E aquilo a que assisto sempre é a uma tentativa de culpabilizar alguém (Associações, Federações, ...) e de se "vitimizarem":
  • "Nunca ninguém me deu nada"
  • "Não tenho equipamento"
  • "Se não me dão equipamento, venho como estiver"
  • "Eu é que tenho de comprar o meu equipamento, não?"
Meus amigos... ninguém pediu para serem árbitros!!!
Foi uma escolha pessoal, acredito que motivada pela paixão pelo desporto... mas que implica regras a respeitar.
E se sabem as regras do jogo, sabem também as regulamentações sobre o que devem levar como equipamento, as horas de chegaa, elementos a verificar...acho eu... mas peço desculpa se estiver errada.
Certo que o correcto é terem o equipamento no final do curso, ou pelo menos as indicações de como e quando o vão receber.
Mas isso não serve de argumento para não irem apitar, pelo menos, com calças brancas e camisola ou pólo branco!

Se calhar hoje em dia as coisas estão muito facilitadas. Ou as pessoas muito acomodadas. Ou o ser árbitro" não significa respeito pelos colegas e pelas equipas... Se calhar hoje em dia ou se dá tudo... ou as pessoas não fazem nada próactivamente? (é mesmo uma dúvida minha, chamemos-lhe um existencialismo, que não quero generalizar)
Quando não havia nada e se apitava por amor à modalidade (pois hoje em dia com algumas posturas e atitudes, por mais que se diga que é por amor à modalidade... custa-me a acreditar), ningém reclamava ou deixava de ir apitar correctamente equipdo por "não lhe terem dado equipamento".
Hoje em dia parece que há muitos árbitros que estão a fazer um favor às equipas em irem apitar, que fazem um favor às Associações e Federação e por isso não vão equipados correctamente, não chegam a horas, etc...
Se estou a ser demasiado dura, lamento!
Não quero aqui também generalizar... mas que há muitos casos destes... há... e eu não sigo jogos em todo o país... só recebo o feed-back de quem vai...

Reconheço que todos os árbitros tem outra actividade (estudam, trabalham) e que se arbitram é porque gostam do desporto e de uma forma ou de outra querem estar ligados à modalidade (duvido que seja pelo dinheiro) e prejudicam com isso os seus tempos livres, vida familiar e social. Mas, mais uma vez refiro que, é uma opção consciente de cada um.

Exactamente por isso... ou TODOS colaboramos para uma boa imagem... ou vamos continuar durante anos a fio a discutir "o sexo dos anjos"... a procurar culpados... e a penalizar a imagem da arbitragem e o respeito pelas equipas.
Não estou (novamente) a querer culpabilizar os árbitros ou "desculpar" as Associações ou Federação das suas responsabilidade, mas sejamos claros... esta postura de ir apitar de qualquer maneira porque não se tem equipamento???
Se não recebeu equipamento podem sempre escolher uma de 2 opções (e muita gente, muito mais nova que muitos árbitros "antigos" é o que faz e comparece equipada):
  • Falar com a Associação onde está filiado para ter um equipamento (viram... a indirecta das filiações...)
  • Arranjar o seu próprio equipamento.
Em muitos países que são potências de pólo aquático, os árbitros no final do curso tem de apitar bastantes jogos para terem direito a receber o equipamento.
Acham que eles os apitam vestidos de qualquer maneira? Sem irem de branco?
Enganem-se. Um árbitro que falhar no respeito das regras e do vestuário, além de ser penalizado, se for estagiário arrisca-se a não chegar a ser árbitro (e falo de pelo menos 15 jogos para deixar de ser árbitro estagiário).

Aqui é que achamos que nos devem tudo, e se não pagam... em vez de ir buscar o "dinheiro"... ficamos a reclamar e a apontar "culpados" em vez de agir.
Já para não falar da credibilidade junto das equipas. Um árbitro que vai sempre devidamente equipado (ou pelo menos de acordo com as regras se não conseguiu ter um equipamento "oficial" junto da sua Associação), chega sempre com a antecedência mínima, faz as verificações todas... é muito mais facilmente desculpado pelos erros que cometa que um árbitro que vai de calções, calças de ganga, camisa ou camisola de praia, etc, etc.

E... será que os árbitros não tem o contacto do árbitro que vai fazer dupla com ele, não conseguem falar um com o outro e comparecerem de igual?
Vamos continuar a assistir a cada árbitro equipado de sua maneira, por falta de comunicação? (sim, porque até existirem regras definidas sobre equipamentos, e equipamentos para todos... porque não comunicarmos internamente? E dar uma melhor imagem).

Acreditem que o equipamento, chegar a horas, etc... faz a diferença!!! E posso dizer que muitas vezes sinto isso na pele, apesar de não ir de calças brancas (sim, eu sei... dou sermões e sou a primeira a falhar - vou corrigir isso), pois a postura de respeito para com as equipas tentando chegar sempre a horas, com pelo menos uma t-shirt branca (já que estou como oficial), faz com que muita gente tenha a ilusão que sou um bom árbitro... sem nunca me ter visto apitar... e sou tão má como qualquer outro arbitro que não apite regularmente, acreditem!
Por isso acredito que a moralização da arbitragem deve vir, em primeiro lugar, dos próprios árbitros enquanto representantes da arbitragem.

8 comentários:

Apito na água disse...

Aqui fica mais uma reflexão.
Caríssima colega de apito e outras andanças.
Até parece que andamos nisto sozinhos, já não basta os nossos diálogos pessoais e, ainda temos algum tempo para vir para aqui tentar contribuir, com a nossa visão e opinião para ver se as coisas mudam.
Este tema nunca está esgotado, ainda este fim-de-semana, se assistiu a uma pequena falha na pontualidade, mas já lá vai.
É uma realidade embora já passado, quando começamos a arbitrar, fomos nós que compramos o equipamento e começamos a arbitrar todos de BRANCO, pólo, calças e ténis. E conforme tu referes porque nós queríamos apitar e tinhas uma causa comum, para além do dinheiro que não ganhava-mos, gostávamos da modalidade e fosse onde fosse, longe ou perto lá íamos nós. E tudo porque fazia parte da imagem do árbitro estar equipado para marcar a diferença perante as equipas, a credibilidade e granjear o respeito de todos os intervenientes. Como é evidente as associações podem ser responsabilizadas actualmente pela falta de equipamento dos árbitros, uma vez que na sua grande maioria têm sponsers, para os mesmos e eu sei do que falo, devendo ser estas a distribuir os equipamentos disponíveis pelos árbitros no activo.
Mas também os árbitros não procuram as associações ou a federação para pedir o seu equipamento. Embora isso não seja impeditivo de se apresentarem no jogo devidamente equipados, umas calças e um pólo branco, na feira de Carcavelos é barato.
Aqui neste aspecto nunca falhei, com equipamento da associação, da federação ou o meu equipamento sempre me apresentei devidamente equipado, faz parte da imagem do árbitro e daquilo que pretendemos transmitir aos outros.
Quanto ao chegar a horas e efectuar as verificações, do campo falar com o secretário etc. isso é fundamental, para que no decorrer do jogo, não se venha a verificar que, por exemplo a rede não está bem fixa, as bolas utilizadas no aquecimento não foram comuns às duas equipas etc.
Compreendo também que algumas pessoas possa estar desmotivadas, pelo simples facto de não serem ouvidas, mas isso de forma alguma pode significar o relaxe total, a falta de rigor o cumprimento das normas instituídas. Utilizando as tuas palavras o exemplo deve vir de cima, do árbitro, a moralização da arbitragem deve vir de nós próprios.
E eu sou suspeito neste discurso, mas isso são outras andanças.
Estivemos juntos num jogo, nos outros não sei o que se passou, mas para voltares a este assunto com toda a certeza se passou algo.
Para reflexão:
“…a imagem da personalidade do árbitro cria-se no espírito de todos os competidores por força da exteriorização da sua honestidade, integridade, imparcialidade, decoro, rectidão rigor técnico e civismo….”
JB

Arbitragemwppt disse...

Olá
Volto a este assunto não especificamente pelo que se possa ter passado neste fim de semana (mais um entre tantos e tantos - apesar de marcado por um pequeno acidente...), ms que ralmente me faz pensar, pelos jogos a que assisti e pelos que ouvi comentar, que a situação de mantêm há anos (já em jogos no saudos Algés apareciam árbitros de calções de praia, chinelos e surf).
Se há uma coisa que não se pode apontar aos árbitros internacionais é que vêm sempre equipados a rigor.
No entanto, nas camada mais jovens (nacionais, distritais, ...) nem sempre isso acontece.
E quando é "desculpado" com argumentos como... "ninguém me deu equipamento" (ouvido há mais anos que gostava de referir) algo vai grave na postura (e mais uma vez... eu que vou sempre de calças de ganga não posso atirar pedras... os telhados são de vidro).
O que gostava que fosse a reflexão dos árbitros é - a imagem da arbitragem começa no árbitro.
Na Decathlon, na Sport Zone, na Zara... numa série de lojas encontram umas calças brancas em conta, bem como os pólos.
Caso contrário - pressionem as Associações e os seus responsáveis para os obter.
Não podemos é continuar nesta rotina de anos (e estive 2 fora) sem ter em atenção que a imgem do árbitro começa desde que entra na piscina até que sai (chegar a horas, equipado, verificar campos e bolas, equipas, etc).
Tem de se começar por algum lado e quem melhor que os próprios árbitros a dar o exemplo.
Obrigada pela reflexão JB

Apito na água disse...

Voltamosà velha estória,não história, é muito mais fácil vir aqui e criticar este e aquele, que arbitram mal, que fovorecem, a,b, ou c do que reflectir sobre o problema geral da arbitragem do Pólo. Pessoalmente não me preocupa que um oficial, entenda-se cronometrista ou secretário que esteja na mesa de calções ou calças de ganga, incomoda-me é um árbitro não ter uma camisola branca e umas calças brancas ou um juiz de golo.
Este são aspectos que penalizam a arbitragem, em especial nos campeonatos nacionais, nos regionais é menos preocupante, estamos no início. Voltando aos campeonatos nacionais, isso deve ser uma preocupação da entidade máxima, equipar os árbitros quando os nomeia para oficiarem jogos nacionais.

Arbitragemwppt disse...

continuo a achar que o facto de ser uma responsabilidade da entidade que os foma ou nomeia... isso não pode nem deve isentar os árbitros da suas responsabilidades, que são de ir equipados de branco.
E se não se começa logo nos regionais ou distritai, mais grave ainda.
Acredito que os bons alicerces são a base de qualquer trabalho.
Não podemos dizer que nos regionais é menso importante... ou nos escalões inferiores.
A credibilidade e postura vem desde que se pensa em ser árbitro.

Anónimo disse...

axo realmento muito bonito tudo isso de um arbitro se apresentar bem vestido, mas aproveito para lhe dizer alguns dias atras num jogo realizado no restelo, vi a oficial de mesa todo o tempo de jogo ao telemovel, parece-me que isso também nao ajuda a imagem dos arbitros e a roupa talvez seja um mal menor. cumprimentos

Arbitragemwppt disse...

Olá anónimo
Se estava a falar de mim, houve um jogo no Restelo a semana passada (se não me falha a memória), em que do 3º para o 4º período me vi obrigada a fazer algo que detesto, que foi atender o telemóvel, pois tinham faltado árbitros e oficiais de mesa para o Torneio de Júniores e pediram-me para ir. Tive de faltara um jantar organizado pela minha equipa, sair a 20" de acabar o jogo (como estava nos 30" a minha função tinha acabado), quase ter um acidente de mota para tentar chegar ao Sporting com um mínimo de atraso para que os jogos se pudessem realizar (eram 2 jogos com equipas vindas de fora).
Não é uma situação correcta para as equipas ou para a imagem da arbitragem, mas tive de optar pelo mal menor, que era poder ajudar 4 equipas a realizarem os seus jogos de uma maneira mínimamente correcta (pois só havia 1 árbitro que tinha comparecido numa fase final de um torneio de júniores).
Se não foi esse o caso a que se estaa a referir... só posso lamentar a postura de falar ao telemóvel durante um jogo - não é equipamento, certo, mas é imagem e respeito pelas equipas.

Arbitragemwppt disse...

Uma pequena ressalva anónimo - eu sou a primeira a assumir que ERRO!
Muitas vezes por inconsciência... mas outras porque... outros valores se sobrepõem... e a isso me obrigam - o caso do jogo que referi no Restelo, com o Arsenal 72

Apito na água disse...

Comentários anónimos não merecem resposta.
Escondem-se atrás do anonimato porque não tem coragem de dar o nome, e são daqueles que tudo criticam e nada fazem. Porque para se ter a veleidade da critica é necessário demonstrar na prática que se faz melhor ou no minimo igual aos outros.
Cego não é aquele que não vê mas sim o que não quer ver.
Abraço